
Nesse exato momento a saudade bate em minha porta trazendo com ela a vontade absurdamente de escrever. Sinto saudade das palavras. Palavras feitas por uma criança sem concordância verbal. Feitas de linhas tortas, palavras embaralhadas, de caça palavras. Sinto um vazio de palavras mal feitas, acompanhadas de outras mais mal feitas ainda, que não dão um sentido para os que se interessam a ler. Para mim tudo tem sentido. Se não houvesse algum, mínimo se quer, não existiria. Acredito assim, da forma em que a vida de revela para mim como um brilho intenso. O brilho não se vê, na verdade se sente. E quem o vê talvez se engane da própria enganação que o faz de tentar reconhecer um brilho inexistente feito da junção de neurônios. Isso, quem sabem seja exemplo de "sentidos não reconhecidos". Mas existe essa lógica, pelo menos eu a criei nesse exato minuto.
Tenho fome. Fome de escrever pra agradar a mim mesma. Não escrevo pra ninguém, na verdade escrevo, pra o meu interior. Pra ele entender um pouco do que me faz entender. E de saber, de alguma forma ou de outra, de momentos bagunçados que me faz presenciar por eu iniciar a presença dele. Sou uma menina complicada, queria estudar o meu eu, saber um pouco mais de mim, me conhecer... Ás vezes me surpreendo, sou uma surpresa pra dias ruins, pra dias bons. Sou uma surpresa pra o agora. Muitas coisas chegam em minha cabeça sem data de validade. Elas podem se alojar e dar o ponto de saída em milésimos de segundo que por um momento já nem sei o que pensei. Isso é altamente estranho, saber que pensou em algo que já não tem ideia do que seja. Refletores de ideias e palavras que passam como um feixe de luz. Sou uma loucura normal. Acho que todas são, não há uma loucura louca. O que é ser louca? Louca é uma forma de ser normal. Mas, o que é ser normal? Ser normal é você? Então você realmente quer ser normal? Ser normal deve ser chato demais. Prefiro ser eu mesma, uma mistura de sentimentos confusos e de ideias engarrafadas. Quero ser assim, desse meu jeito assustador, ofegante, dançante. Dessa exata forma, como as ondas, a areia ou o asfalto. Quero ser tudo ou o nada, pois mesmo sendo o nada, já sou alguma coisa. Quero me entender. Mesmo não entendendo nada. Quero então entender que não entendo nada. Quero ser um sorriso e um choro que parece infinito. Gosto de ser assim, gosto de arrancas meus cabelos com raiva e gosto de puxá-los de alegria. Gosto de sentir o gosto amargo das lágrimas, pois sinto os sentimentos ruins que enchiam o meu interior de amarguras. Eles saem, mas por muitas vezes voltam... Deve ser quando eu os provo, eu transfiro ele novamente para o meu interior. Tenho em mim a ideia louca de acabar um texto do nada, como o agora. Mas nada se acaba, tudo se transforma.. Então acabe do jeito que preferir, do jeito que pensas e da forma exagerada de ser. Só não me venha dizer que não sabes como acabar, porque dizendo isto já estás acabando, com um silêncio gritante de não saber criar um final que gostaria, mas que o fizeste... Agora.